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Mineradores liquidam US$ 348 milhões em BTC devido a custos altos

Os mineradores de Bitcoin estão passando por um momento bastante intenso. No último mês, eles venderam aproximadamente 5.359 BTC, o que equivale a cerca de US$ 348 milhões. Isso gera um alarme, especialmente agora, que o Bitcoin está lutando para se manter na faixa de US$ 64.000, ou seja, por volta de R$ 371.200. Essa mudança de estratégia, onde antes o foco era acumular, agora parece ser mais sobre garantir a sobrevivência no dia a dia.

Essas vendas pesadas não são apenas uma questão de estratégia de investimento, mas refletem um aumento nos custos de energia e a compressão das margens de lucro, especialmente após o halving que aconteceu recentemente. Com a receita caindo, o mercado se pergunta se essa venda é um movimento isolado ou se é o sinal de uma tendência mais ampla, o que poderia criar barreiras para novas altas no preço.

O que explica a movimentação atual?

Para entender a situação, é importante saber que a mineração de Bitcoin tem margens bem apertadas. O minerador gasta energia para gerar novos BTC. Quando o custo da energia aumenta e a quantidade de Bitcoin recebida diminui, o resultado é uma conta que não fecha. O que estamos vendo agora são empresas usando suas reservas de Bitcoin não mais como um “tesouro” a longo prazo, mas como uma forma de pagar contas, especialmente as taxas de energia.

As tesourarias que costumavam ser um sinal de segurança agora estão sendo usadas para manter a operação funcionando. Além disso, o chamado hashprice — que mede o quanto um minerador pode esperar ganhar pela sua capacidade computacional — está em queda. Hoje, esse indicador está abaixo de US$ 30 por petahash/dia, o que torna até equipamentos mais antigos, como a série Antminer S19, inviáveis em locais com tarifas elétricas elevadas.

Esse cenário vem pressionando as mineradoras a tomarem decisões duras: vender Bitcoin, emitir novas ações para levantar capital, ou pegar empréstimos caros. A maioria tem optado pela venda. A rede continuou segura, mas a viabilidade econômica dos mineradores está sendo severamente testada.

Quais são os dados e fundamentos destacados?

A atual situação é evidenciada através de métricas e relatórios que mostram como o setor está frágil. Vamos explorar algumas dessas informações:

  • Volume vendido: As mineração liquidou 5.359 BTC em apenas 30 dias, o que superou o volume de novas moedas geradas em determinados momentos.
  • Queda na tesouraria: O saldo coletivo de mineradores caiu 4,44%, restando cerca de 115.335 BTC, avaliados em US$ 7,4 bilhões.
  • Ações específicas: Empresas como a Riot Platforms venderam 1.818 BTC, e a Bitdeer liquidou toda a sua tesouraria para pivotar parte da operação para Inteligência Artificial.
  • Custo de produção: Análises indicam que, em tarifas de US$ 0,07/kWh, alguns equipamentos populares já estão operando no vermelho.

Esses números se contrastam com a situação de mineradoras em outras partes do mundo. Enquanto as empresas norte-americanas estão vendendo para cobrir seus custos, algumas mineradoras em locais com energia subsidiada, como os Emirados Árabes, continuam acumulando moedas.

Um fator crítico a considerar é a dificuldade de mineração, que recentemente subiu 14,73%. Isso significa que é necessário mais poder computacional e, consequentemente, mais energia para minerar a mesma quantidade de moedas, tornando a vida dos mineradores que não possuem equipamentos de ponta ainda mais complicada.

Como isso afeta o investidor brasileiro?

Para quem investe no Brasil, essa onda de vendas dos mineradores representa uma pressão de venda contínua, o que pode inviabilizar grandes altas no curto prazo. Quando esses mineradores despejam milhões no mercado, a liquidez de compra diminui, dificultando a valorização do ativo. Com o Bitcoin na faixa de R$ 371.000, a volatilidade tende a se intensificar caso essas vendas sigam.

Localmente, essa situação enfatiza a necessidade de observar os custos de energia, já que esse é um tema recorrente aqui. Empresas brasileiras estão buscando alternativas, como a Engie, que está avaliando a utilização de energia solar para mineração, algo que poderia ajudar a tornar as operações mais resistentes a oscilações de custo.

Para quem investe na B3, usando ETFs como HASH11 ou BITH11, o momento exige cautela e foco no longo prazo. A estratégia mais segura é fazer investimentos regulares — o Dollar-Cost Averaging (DCA) — em vez de tentar prever a mínima do mercado. A alavancagem deve ser evitada, pois mineradores precisando de dinheiro rápido podem causar quedas abruptas, afetando traders alavancados antes que qualquer recuperação aconteça.

Riscos e o que observar

Um dos riscos mais preocupantes é que o preço do Bitcoin caia abaixo de níveis críticos, como US$ 60.000, o que tornaria até as máquinas mais modernas ameaçadas de lucro. De acordo com análises, as taxas de transação atualmente representam menos de 1% da receita, deixando os mineradores dependentes do subsídio do bloco e do preço da moeda.

Caso o preço caia mais, poderemos ver uma “capitulação de mineradores”, onde várias empresas desligam suas máquinas. Isso diminuiria o hashrate e forçaria mais vendas das reservas para pagar dívidas. É crucial acompanhar o próximo ajuste de dificuldade e os relatórios financeiros das mineradoras. As projeções mostram que a linha entre lucros e prejuízos está cada vez mais fina.

Em resumo, a situação atual força os mineradores a se desfazerem de suas reservas para manter as operações funcionando em um período de altos custos e receitas reduzidas. Isso pode criar um teto temporário para o preço do Bitcoin, pois cada alta acaba sendo usada pra gerar caixa. A acompanhar se o hashrate cairá ou se o preço encontrará força para absorver essa oferta sem romper suportes importantes.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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